quinta-feira, 7 de junho de 2007

Governança de empresa familiar

Segunda parte da entrevista com Werner Bornholdt.

Jonas Diogo: Qual o maior desafios das empresas hoje?

Werner Bornholdt: O maior desafio é se manter competitivo no mundo globalizado; ter pessoas muito competentes no seu quadro, familiares e não familiares; planejar os sistemas família, propriedade ou sociedade, a empresa ou o negócio, pensando 25 anos para frente. Olhando esses sistemas na prospectiva de 25 anos para consolidar as atividades.

Jonas Diogo: Como esses sistemas devem ser organizados?

Werner Bornholdt: Normalmente se cria um órgão ou duas ou três pessoas que cuidam das questões de família, justamente para não misturar com as questões de negócios. A idéia é que os assuntos pessoais não transitem pela empresa. Todos os pagamentos de IPTU, IPVA, despesas pessoais não transitem pela empresa. Esse conselho de família vai cuidar ainda dos conflitos. O importante não é evitar o conflito. O conflito é natural e tem que existir. O que precisa e ter regras para administrar esses conflitos. O conflito tem que ser estimulado, ele tem que aparecer, porque senão ele fica na panela de pressão e quando sai explode.

Jonas Diogo: Como lidar com as transições na alta administração?

Werner Bornholdt: Um bom exemplo é o grupo Gerdau que está na mídia com sua transição planejada e executada durante 15 anos. O processo começou a 15 anos atrás e culminou com a indicação do presidente e do vice-presidente operacional. Temos outros casos como o Votorantim que é um modelo de governança e de hierarquia. O caso do Chocolates Garotam que a governança não vingou e os conflitos fizeram com que o grupo fosse vendido. São exemplos a serem observados.

Jonas Diogo: Como deve ser feita a escolha e colocação dos membros da família nas funções da empresa?

Werner Bornholdt: A colocação de membros da família em cargos estratégicos deve seguir um regime de competências e de resultados. Mas acima de tudo essa seleção deve ser delegada a não familiares, porque os familiares tendem a ver filhos e sobrinhos com filtros e com lentes. Então são os piores para julgar e avaliar competência, resultado e desempenho de um herdeiro. Pode ser criado um comitê com conselheiros externos, mas o mais importante, para um herdeiro trabalhar na empresa, é a paixão. É preciso ter extrema, muita paixão pelo negocio e querer a perpetuação desse negócio. Essa é, a meu ver, a premissa básica para atuar na empresa.

Jonas Diogo: Como a relação dos funcionários e de acionistas em uma empresa familiar?

Werner Bornholdt: Há um estudo que diz que nas empresas familiares há mais lealdade de empregas para com a empresa e com os seus superiores. O colaboradores vestem a camiseta. Por parte dos acionistas, há mais criatividade e ousadia em termos de negócio. A comunicação é mais ágil, mas rápida, tudo está mais próximo. E é feito de forma informal. Isso dá agilidade.

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